“Senhoras e senhores dentro de instantes estaremos pousando no
aeroporto de Santarém, tenham todos um bom natal...” Foi o que o comandante
do voo disse ao preparar a aterrizagem em terras paraenses. Por fora eu mantive
a classe e apenas um sorriso no canto da boca, mas por dentro um turbilhão de
emoção e felicidade sem fim. Pela janelinha do avião avistávamos o rio Tapajós
e Amazonas e claro a imensa floresta amazônica. Nunca pensei que sentiria
emoção tão grande por essa cidade...
Tudo bem que ao sair do avião
senti na pele que estava em Santarém pois o calor absurdo que estava fazendo
fora do aeronave era de espantar. Saí com cheirinho de nuvem, direto num imenso
mormaço santareno.
E então, depois de quase 2 anos
sem ir para casa dos meus pais, eu estou de volta. Saímos dia 23 de dezembro do
Rio de Janeiro rumo a Santarém (eu, minha irmã, meu cunhado e as duas crianças
fofas dos meus sobrinhos). Viagem extremamente cansativa e longa, mas valeu muito a pena chegar e ser recebida
com abraços, lágrimas e uma torta deliciosa de limão (a minha preferida). Depois de 7 horas de viagem e espera em
aeroporto, não tem nada melhor como chegar em casa depois de tanto de tempo e
ter o delicioso gosto da saudade saciado em pequenos e simples momentos.
Mas, nem tudo são flores...
Família é algo complicado de definir:
quando longe sentimos saudade, quando perto queremos estar longe. Alguém
entende?
Família reunida Natal de 2011
Chego em casa e pareço turista
que desconhece tudo. Não sei onde estão os talheres, os pratos, as toalhas, o
sabonete. Pergunto toda hora o que posso e o que não posso; concordo em parte e
discordo muito mais. O ritmo de casa já não me acompanha mais...nem eu o ritmo
dela.
Santarém foi progredindo e junto
o meu carinho por esta cidade ( o que eu nunca imaginei que teria). É aqui onde
minha família escolheu morar; no inverno chuva e sol, no verão sol de 40 graus,
com urubus ou sem urubus. Acho que já comentei algo da minha dificuldade de
adaptação nesta região. Sempre é difícil aceitar que temos que mudar de cidade,
as vezes de estado ou país. Deixamos amigos, a casa que crescemos e caímos
quando estávamos aprendendo a andar de bicicleta. Deixamos lembranças, mas
também levamos muito mais. Damos valor ao que antes não era percebido e
partimos rumo ao desconhecido. Vamos nos dando conta que crescemos, não em
estatura física mas racional e espiritual. Eu me questionava se teria amigos,
se seria feliz e na época que nos mudamos para Santarém não valorizei o que
meus pais fizeram: arriscaram tudo e saíram de um “porto seguro” rumo ao:
desconhecido, à busca por algo melhor pra mim e para eles. Nós passamos
dificuldades. Mas, que graça tem tudo que é de graça? Aprendi com o tempo que
Deus nos cuida, e não nos dá fardo mais pesado que não possamos carregar; Deus
esta conosco dando o suporte e a força necessária para prosseguir. Tudo aquilo que passamos, entre choros,
dores, tristeza e sofrimentos hoje tem um gosto diferente.
E como Deus é maravilhoso! Digo e
repito muito isso. Tudo acontece no tempo dEle e isso me faz prosseguir. Não sei
como seria se não viéssemos para Santarém, se eu não aprendesse com as
despedidas da terra natal (São Borja) e saísse da barra da saia de minha mãe.
Será que arriscaria tudo de novo para ir morar sozinha em São Leopoldo/RS? Essa
mudança para Santarém não só trouxe uma vida melhor (que não teríamos se
ficássemos em São Borja) como também foi um processo (constante ainda) de
mudanças em mim e na minha família.
Roberta, Juliano e Érica (irmãos)
O que mais dizer? “Essa família é
muito unida (e engraçada) e também muito ouriçada. Brigam por qualquer razão”
as vezes nem pedem perdão e que constantemente estão aprendendo a conviver com
as diferenças de personalidades existentes entre eles.
Escrevo isso hoje daqui da casa
dos meus pais, com um ventilador grudado em mim, suando feito bicho (eu sei que
isso não foi delicado) mas com um sorriso no rosto por simplesmente poder estar
escrevendo isso com tranquilidade e felicidade, porque por mais que a vida lhe
traga dificuldades, tristezas e inseguranças, podemos vencê-las reconhecendo
que Deus tem um processo muito grande nisso.


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