Sabe aquelas perguntas de
apresentações? Tipo, qual seu nome e de onde você vem? Bom, o meu problema já
começa aí. Nasci em São Borja/RS, terra dos presidentes (óhh ¬¬) e fronteira
com a Argentina (cidade vizinha é Santo Tomé, hoje acho que nem vale mais a
pena atravessar a ponte internacional para comprar mantimentos alimentares por
lá, mas muita gente ainda vai pra perder dinheiro no cassino e fazer festa por
lá. Minha mãe dizia que antes dessa tal ponte existir, atravessava-se o rio
com chalanas (barquinhos) ou balsas.) Mas, com 16 anos eu fui morar em
Santarém/Pará. (próxima pergunta que sempre fazem: mas, o que foram fazer lá em
Santarém?) automático respondo: meu pai não é militar. Ele foi pra trabalhar. Vendíamos pão, sonhos,
cucas, salgados que minha mãe fazia em casa. Assim, pude estudar e terminar o
terceiro ano do ensino médio numa escola católica e caótica, mas interessante. Era tipo aquela escola do clip famoso do Pink Floyd. Enfim... hoje em dia meus pais não fazem mais isso. Meu irmão
(que já morava lá) levou meu pai pra trabalhar com ele e cuidar de um sítio,
pequeno, no interior de Santarém. Meu pai é pastor de ovelhas, e sinto orgulho de dizer isso...
Uma ovelha...
Turma terceiro ano- Colégio Dom Amando (Santarém)
Depois de Santarém, resolvi estudar teologia. Mais uma pergunta
pertinente: Porque Teologia? Alguns nem sabem o que é. Uma dica: Não vou ser
freira. Não sei o que Deus quer de mim, e onde ele me quer. Talvez me torne
pastora, um dia, de alguma comunidade. Talvez eu dê aulas. Talvez eu estude
Designer, fotografia, arquitetura, publicidade...ou fique na casa de meus pais.
Vai saber?! Mas, o por que? Bom, Deus sabe e eu não sei explicar. Sério! E isso me da uma segurança inexplicável! Não tenho casa fixa agora mas estive pensando
durante esses dias em que estou ajudando minha irmã a organizar a mudança e a
casa dela que, um dos meus sonhos é poder um dia ter A minha casa. [ rústica, como sempre sonhei. E o Isaque que vai desenhar pra mim.]
Por enquanto, minha casa é onde estou, onde
está meu coração. É o teto que me abriga por alguns dias, por algum tempo como
esta sendo agora no tempo de estudo de teologia... é onde Deus quer que eu
esteja. E ainda que haja tanta dificuldade (porque nada é um mar de rosas para
sempre) há coisas inexplicáveis, como amizades e pessoas que aparecem para
ajudar a suportar muitas coisas, ou que te oferecem alternativas para isso.
Nessa loucura que é, tenho tanta saudade de estar com minha família, de ter
aquela comida pronta na hora do almoço, as vezes um colo... a saída é aquietar
o coração nas Palavras de confiança de um Deus vivo e misericordioso, erguer o
rosto, enxugar as lágrimas e seguir. Tenho já esse desapego não tão desapegado,
mas vivo bem, longe e distante da barra da saia da mamãe. As vezes me assusto, e falo comigo mesma: Tô crescendo....
Quando adolescente eu queria ser
hippie pra viajar por aí. Hoje descobri que posso viajar, cantar e tocar
violão, tomar banho, ter uma Kombi (*.*), não usar drogas e falar das coisas
boas de Deus. Veja, que coisa maravilhosa! As coisas mudam, os sonhos são revistos. É tão bom ver coisas novas, a gente vai aprendendo, vai compartilhando, conhecendo e se adaptando às múltiplas diferenças. tive dificuldade com meu sotaque gauchesco tchê!, quando cheguei em Santarém, também tive dificuldade pra comer Tacacá, cupuaçu, mugunzá (entre outros), mas eu gostava de peixe, farinha, arroz, doce de castanha... Aprendi a não reclamar das coisas ruins mas conviver com elas (e não só em relação as comidas), e ver o lado bom, aonde quer que eu esteja e em cada situação que se apresente.
Sempre distante, sempre na
estrada, sempre confiante nos propósitos de Deus. É o que eu peço...

Nenhum comentário:
Postar um comentário