Depois de três coroas e Novo Hamburgo eu fui para Butiá, mais precisamente rumo à Ludovica. Um sítio, uma
família querida, muita sombra e água fresca. O que mais eu queria? Não faltava
nada! Foram dois dias de reconciliação, perdão e amizade sincera. Participo de
um grupo de discipulado com o P. Sérgio Shaefer e alguns amigos de Faculdade. Amigos, irmãos. Ele é missionário da igreja evangélica luterana, que no auge dos seus 65 anos
foi obrigado teoricamente a se aposentar. Sérgio Shaefer se aposentar? Conta
outra! A energia e a vontade de edificar vidas para o reino de Deus é
surreendente. Um cara que mudou o rumo de muita coisa na minha vida, um pai que
eu sonhava e precisava em um período longo em terras distantes. Assim, vejo o
quanto Deus foi e é generoso comigo...
Pessoal do Discipulado e a Família Shaefer
Fui lá pras bandas daquele pago
(gíria gaúcha), uma emoção jamais explicável por alguém. Saímos de Porto
Alegre, com alguns estress por atrasos e esperas num calor terrível, num lugar
estranho. Ao entardecer tivemos o privilegio de ajudar no culto daquela
comunidade de Butiá estabelecida a pouco tempo naquele lugar, com a graça de
Deus sob o pastorado missionário do pastor local e sua esposa. Vejo os detalhes
pequenininhos da grandeza da obra de Deus através de pessoas abençoadas como
eles e tantos outros empenhados em sua obra. Sérgio disse uma vez que para a
obra verdadeira e missionária de Deus, são uns poucos e loucos que topam entrar
nessa.
Tocamos no culto e pegamos o rumo
do Sítio dos Shaefer’s. É bom ter com quem conversar sobre coisas da vida e ter
um momento de paz, já dizia Renato Russo... e não é que é mesmo? Não há coisa
melhor do que andar a cavalo, tomar banho de rio, sentir aquele vento
fresquinho bater no rosto, olhar para o horizonte longínquo, beber leite
fresquinho, pão feito em casa com chimia de pera e também mel... Dar boas
risadas, chorar também. Ter momento com aqueles que te fortalecem não tem
preço. A noite de segunda feira sob um céu estrelado que dava gosto de ver,
tive o privilégio de receber o envio desses amigos/irmãos para a viagem de
intercambio, sabendo que nem oceanos, nem falta de internet fará com que nos
afastemos nesta distancia louca de 1 ano.
Me despedi de Butiá e fui rumo a
São Leopoldo. O que me esperava era: malas a serem feitas, algumas caixas a
serem fechadas e claro, mais despedidas. Isso foi rápido. Alguns poucos dias,
algumas poucas risadas e choros, despedi dos companheiros mais chegados de
caminhada. Rumo a São Borja agora. Claro, com a rotineira corrida para jantar e
pegar o ônibus. Lá me esperavam alguns familiares e minha irmã, com sua
família. Fiquei lá, alguns dias e logo, comecei mais uma etapa de viagens,
agora com minha irmã assumo o papel de babá e tia de duas crianças fofas que eu
amo: meus sobrinhos. Esta parte eu gosto de dizer que: agradeço a minha irmã
porque através dela tenho oportunidade de conhecer muitos lugares. E São Borja
foi passagem rápida.
Nasci lá, me criei lá, mas fui
embora de lá. Não digo que não gosto de estar lá, mas não tenho mais nexo com
aquela cidade. Tudo mudou, tudo passou. Voltar e ver que não conheço ninguém as
vezes é constrangedor, afinal, nasci lá. Me sinto até mais velha vendo as
criancinhas da minha época de ensino médio com namorados ou na “balada”. Não
tenho tantos amigos, mas um amor eterno que apesar das dificuldades e problemas
continua firme: a igreja onde me batizei, me confirmei e vivi bons tempos de
adolescência. Foi lá, que a sementinha brotou pela teologia e continua ainda
pequena, mas crescendo.
Fomos para Porto União/SC. Minha
irmã morava lá, porque seu marido trabalhava lá. Arrumamos a mudança,
encaixotamos coisas e o caminhão da mudança levou tudo rumo ao Rio de Janeiro.
E por isso eu digo e repito: obrigada maninha por proporcionar conhecer muitos
lugares...
Roberta e Érica
E assim eu vou vivendo, vou
caminhando e viajando.. Sempre na estrada, sempre distante.



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